A crise e a Construção Civil

Especialistas acreditam que setor deve ficar atento, mas continuará em expansão nos próximos anos

 

 “A demanda continuará aquecida, pois o governo sabe que não se pode e nem se deve ‘frear’ um setor com grande impacto em toda a sua cadeia produtiva”, afirma Marcos Kahtalian, consultor do Sinduscon-PR

A crise econômica mundial é preocupante. Porém, é possível se antecipar e se preparar para evitar perdas. Na Construção Civil, quem já fez uma adequação dos investimentos desde 2009, hoje possui melhores perspectivas de crescimento, mesmo se existir efeitos da crise no setor. “Os empresários se prepararam e estão colhendo bons frutos. Em 2009, o crescimento do setor foi de 10,6% e para 2011, o crescimento foi de 6% sobre 2010”, afirma Cláudio Conz, presidente da Anamaco – Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção.

O crédito amplo somado aos programas habitacionais do governo e a expansão imobiliária ajudaram a fomentar a Construção Civil. No setor de materiais de construção, de acordo com o presidente da Anamaco, o aquecimento ocorre por causa do aumento da renda e emprego. “O boom imobiliário representa somente 23% do consumo de materiais de construção no Brasil. Enquanto o emprego e renda continuarem crescendo, não temos como avaliar se haverá crise no setor”, considera.

Para o economista Luciano D’Agostini, sócio da Inva Capital e doutor em desenvolvimento econômico pela UFPR, o segmento foi alavancado pelo crédito. Porém, esse crédito que as pessoas contraíram para adquirir bens de consumo duráveis, como imóveis e automóveis, são muitos caros. Já a dinâmica dos salários versus endividamento familiar deverá ser logo revisto. “Caso isso não ocorrer haverá inflação de salários para comportar o crescimento da dívida ainda cara ou estrangulamento de consumo. Na primeira situação geraria inflação e na segunda deflação. Esta deflação inclusive afetaria o mercado”, salienta e acrescenta: “Os lojistas e empresários do setor podem certamente esperar uma desaceleração no consumo e na taxa de crescimento das vendas.”

 

 

 

De acordo com Cláudio Conz, os empresários estão atentos, mas seguem firmes com os investimentos na abertura de novas lojas e aumento da capacidade produtiva das indústrias. E, embora haja preocupação, o consultor do Sinduscon-PR, Marcos Kahtalian acredita que a demanda interna continuará aquecida. “O governo sabe que não se pode e nem se deve ‘frear’ um setor com grande impacto em toda a sua cadeia produtiva. Há a visão de que o momento de euforia passou – o que é bom – e que viveremos anos de consolidação, mas sem dúvida em patamares mais elevados, isto é, com um ritmo bastante razoável e, portanto, sustentável”, considera.

Entenda a crise

A crise econômica internacional é uma combinação de quatro situações, segundo o economista Luciano D’Agostini. Os sintomas da crise imobiliária de 2008, que ainda atingem os Estados Unidos; as falhas das políticas monetária e fiscal que provocaram endividamentos na zona do Euro, na Europa; a recente quebra da cadeia produtiva no Japão, causada por fatores climáticos e a política social e cambial da China. “O cenário mundial hoje é muito complexo. Posso afirmar que a crise mundial será de longa duração”, alerta.

O economista explica que há dúvidas sobre a recuperação da economia norte-americana e europeia, que apresentam níveis de desemprego acima do aceitável e tendências de piorar nos próximos meses. “A Europa ainda não conseguiu retomar uma rota de crescimento sustentável tampouco encontrou uma solução definitiva para as questões das dívidas. As economias emergentes, por sua vez, têm enfrentado o desafio de combater a inflação. E várias dessas economias iniciaram processos de aperto monetário, com o objetivo de moderar o ritmo do seu crescimento e conter possíveis bolhas de crédito”, revela. No Brasil, para minimizar os problemas dessa crise que ainda não estourou, o governo precisa urgentemente fazer as reformas fiscal e política. “Então, num segundo momento, deve reduzir as taxas de juros drasticamente, de tal forma que, pelo menos, fique alinhado com os juros praticados nos países em desenvolvimento”, define.

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